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Lore Olympus (Vol. 4) | Opinião #212

 Olá a todos!

    O ano pode estar a acabar, mas não sem antes eu ler o quarto volume de Lore Olympus.

    Não se esqueçam de conferir a saga:

Sobre a autora

    Rachel Smythe, nascida na Nova Zelândia,é a criadora, ilustradora e autora de Lore Olympus: Contos do Olimpo, uma novela gráfica de grande sucesso que recria algumas das mais conhecidas histórias da mitologia grega, tendo-se tornado um bestseller do New York Times.

    A série foi vencedora do Prémio Eisner para Melhor Webcomic e do Prémio Goodreads para Melhor Novela Gráfica e Banda Desenhada, além de ter sido finalista do Prémio Hugo.

    Foi também considerado um dos melhores livros do ano pela NPR.

Sinopse

    Hades busca apoio na vida pessoal, mas Zeus faz pouco-caso dos seus sentimentos e Minte volta a ter comportamentos abusivos. Por mais que tente impor seus limites, o rei do Submundo continua sozinho e perdido.

    Perséfone, igualmente isolada depois que seus colegas de faculdade se afastam por causa da sua relação com Hades, sequer encontra refúgio em casa, onde Apolo insiste em aparecer sem ser convidado. Como se não bastasse, Ares, o tempestuoso deus da guerra, está de volta para desenterrar sua história com a deusa da primavera, ameaçando trazer o passado da jovem à tona e arruinar ainda mais sua reputação.

    Apesar de concordarem em ir devagar, Perséfone e Hades se veem irremediavelmente atraídos um pelo outro em meio ao caos, e não há como negar a força do destino.

Opinião

    Rachel Smythe continua brilhante na sua reescrita dos mitos antigos e o quarto volume vem mais uma vez mudar a nossa perspectiva sobre determinadas personagens, bem como plantar umas pequenas sementes de mistério.

    Compilando os capítulos 76 ao 102 do webtoon, as coisas tornam-se cada vez mais insustentáveis no Olimpo. Zeus e Hera estão com problemas maritais. Hades ainda está a tentar compreender o que Minthe realmente quer. Perséfone tem que encontrar uma forma de se livrar de Apolo e dos seus avanços indesejados, para além de ter que lidar com o ostracismo dos seus colegas de turma por conta da sua relação próxima com Hades. Para piorar tudo, Ares está de volta às terras dos deuses e ele e a jovem deusa da Primavera parecem ter uma espécie de história sórdida. No meio de tanto caos, a única coisa que parece certa é a atração que existe entre o Rei do Submundo e a deusa da Primavera.

    Bem, devo dizer que este volume passou-me muito a sensação de que algo grande e potencialmente catastrófico está para acontecer. Talvez seja por culpa da ação ou de algumas informações que são reveladas, a verdade é sente-se do princípio ao fim que as coisas estão a caminhar para um ponto de ruptura.

    Talvez seja por causa da sua recente proximidade com Perséfone, mas Hades está decidido a mudar de vida e de comportamentos. Hades começa a perceber quais são os comportamentos abusivos que pautam a sua relação com Minthe e quando estes se manifestam. No entanto, ele ainda quer tentar compreendê-la. Uma coisa interessante que Smythe faz é pintar Minthe como uma personagem tridimensional, em vez de uma personagem plana que recorre a comportamentos abusivos e controladores para se sentir bem (coisa que seria extremamente fácil). Não quer dizer que as suas ações sejam desculpáveis - pelo contrário -, contudo vamos descobrindo de onde estas vêm. Um traço que ambas personagens compartilham é a sua baixa autoestima, uma marca legada pelo tratamento que recebem da sociedade. Naturalmente, isso afeta-os tanto a nível psicológico e emocional quanto nas suas relações, pois eles acreditam que nunca serão suficientemente bons para alguém. Claro que existem distinções entre os dois, com base na forma como os dois agem perante esse trauma.

    Falando em traumas, Perséfone ainda está a tentar lidar com os seus. Ela sente uma raiva por Apolo de tal ordem que até atraiu a atenção de Ares, o deus da guerra. A aparição desta nova personagem expõe um outro lado da nossa querida Perséfone, um lado mais sombrio. Não há dúvidas que Perséfone é uma personagem muito sociável, afável e querida em geral, mas também é interessante ver esta sua outra faceta, inconformada, irritada e vingativa. Depois da sua violação, Perséfone busca uma maneira de se vingar de Apolo, roubando-lhe algo igualmente precioso para ele e destruindo-o um pouco de cada vez. É uma reação diria natural por parte de uma vítima: a busca pela retribuição. Todavia, essa busca pela retribuição por vezes leva as vítimas por caminhos tortuosos, acabando por se tornarem elas mesmas agressoras. De facto, é difícil saber traçar um limite, mas a autora soube-o fazer no caso de Perséfone. Ela continua a sentir raiva, porém a personagem impõe-se ante o seu agressor, vendo-o por aquilo que ele realmente é: alguém extremamente mimado, com medo de ser posto de lado. Ela ainda não se livrou de Apolo, mas deu o primeiro passo na direção certa.

    Quanto às restantes personagens, apenas tenho a dizer que é um caos demasiado engraçado. Zeus é Zeus, ou seja, o maior idiota do Olimpo que apenas faz aquilo que lhe dá na telha. Poseidon...suspeito que a personagem possa ter uma maior profundidade daquilo que se pensa, mas ainda não o demonstrou. Ares à primeira vista parece ser mais um cretino, mas é um cretino engraçado. Num primeiro momento, uma pessoa imagina que exista uma história um tanto sórdida entre Perséfone e Ares, apenas para a autora se rir da nossa cara ao mostrar que afinal não tem nada de especial, apenas um mal-entendido. Quanto a Hera, ela e Hades parecem ser os únicos normais no meio daquela família de loucos.

    Não posso terminar esta crítica sem mencionar as suspeitas em relação a Perséfone. Em vários capítulos, as outras personagens por vezes confundem-na com uma deusa da fertilidade. Perséfone nega sempre (possivelmente, por desconhecimento). No entanto, Smythe mostra-nos que talvez essa assunção não esteja completamente errada. O que ainda é mais intrigante é o facto de existir uma deusa da fertilidade ser algo raro e potencialmente perigoso.

    Em suma, o quarto volume de Lore Olympus é ainda mais viciante que o anterior, pintando um pequeno mistério que pode revelar-se importante, com graves consequências para o Olimpo.

⭐⭐⭐⭐

4/5

Até à próxima e boas leituras!

Ellis

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