Hoje venho partilhar convosco a minha opinião acerca da famosa série da Netflix sobre a Rainha Isabel II, The Crown.
Aviso: este artigo contém SPOILERS!
Sobre a série
The Crown é uma das mais famosas séries do gigante de streaming, que reconta o reinado de Isabel II. A série é da autoria de Peter Morgan - conhecido pelo aclamado filme A Rainha (2006). A série conta, neste momento, com 4 temporadas e 40 episódios no seu todo, sendo cada temporada constituída por 10 episódios. Já foi confirmado pelos produtores de The Crown que a 5ª e 6ª temporadas irão encerrar a série, estando já a decorrer as filmagens para as mesmas.
The Crown foi lançada na plantaforma em 2016 e desde então tem recebido uma grande atenção por parte dos media e do público e geral. A crítica tem destacado as atuações dos atores, o argumento, a direção, a fotografia e até mesmo a precisão histórica dos eventos ocorridos durante o reinado de Isabel II.
Sinopse
The Crown traça a vida da Rainha Elizabeth II desde seu casamento em 1947 até os dias atuais.
A primeira temporada, na qual Claire Foy interpreta a rainha no início de seu reinado, retrata eventos até 1955, levando a morte do rei George VI, levando a ascensão de Elizabeth ao trono e levando à renúncia de Winston Churchill. como primeiro-ministro e irmã da rainha, a princesa Margaret, decidindo não se casar com Peter Townsend.
Opinião
Finalmente assisti à tão badalada série da Netflix, uma das primeiras no seu (cada vez mais) crescente catálogo de originais, The crown. A série conta já com vários prémios e o carinho do público. The crown conta a vida da rainha Elisabeth II e o seu reinado, desde 1947 até à atualidade. Em adição, também explora os outros membros da família real, do governo, bem como alguns núcleos dos empregados.
Não há como negar a qualidade da banda-sonora (composta pelo lendário Hans Zimmer, em parceria com Rupert Gregson-Williams), da fotografia – que se foca mais nos atores do que no cenário resplandecente -, ou mesmo da própria atuação do seu elenco, que nos entregam performances genuínas, mostrando-nos o outro lado destas figuras – o lado humano. Aliás, após ter visto a 1ª temporada, até compreendo o porquê de a série ser tão premiada nessas categorias técnicas. Mas, contudo, porém, todavia, no entanto…The crown simplesmente não me desceu.
O enredo e o ritmo narrativo da série são por demais lentos e enfadonhos. Cada episódio parecia uma tortura que nunca mais acabava. Os dez episódios que compõem a 1ª temporada apresentam cada um evento específico dos primeiros anos de reinado da rainha. É certo que, no fim, as consequências de cada evento se vão acumulando e vão impactando as personagens. Destarte, poderíamos dizer que, apesar da aparência episódica da série, esta realmente conjuga-se num arco maior. Eu percebi isso enquanto estava a ver, mas, mesmo assim, foi um pouco doloroso ver um episódio atrás de outro episódio. Outra coisa que me incomodou foi o facto de a série ter tentado mostrar o que ocorria em certos núcleos de personagens exteriores à família real, designadamente o núcleo dos empregados. Neste aspeto tão particular é impossível não traçar comparações com uma outra série britânica do mesmo género e que o faz de forma soberba. Sim, falo de Downton Abbey. Em Downton Abbey, nós seguimos a família Crawley, bem como os seus empregados, ao longo do séc. XX. Não querendo delongar-me muito neste aspeto, Downton Abbey apresenta a vida dos empregados da casa Crawley de uma maneira cativante e empática, demonstrando as suas lutas, os seus desejos e as suas frustrações. Explicando de outra forma, mostra-os como pessoas reais. Em The crown, temos o completo oposto. Primeiro de tudo, apenas nos é mostrado uma ou duas personagens pertencentes ao elenco dos empregados do palácio, sendo que essas mesmas personagens ocupam os lugares de cimeira da hierarquia palacial. Logo, em certo sentido, estamos a ver perspetivas de pessoas mais ou menos privilegiadas. E, para mim, o pior de tudo é que nem sequer são propriamente desenvolvidos como tal, servindo somente para elucidar-nos acerca das intrigas que ocorrem dentro das paredes do palácio. Assim sendo, servem como meros estereótipos.
Olhando agora para o núcleo da família real e o núcleo do governo, pouco tenho a dizer que não siga a mesma linha apresentada no parágrafo anterior. Sim, os atores, através das suas performances, apresentam-nos um lado mais humano destas figuras tão institucionalizadas. Mas, pouco mais vai além. Aliás, no decorrer da temporada senti que esse aspeto ficou ofuscado pelo número de intrigas que era mostrado na tela. Chegou a um ponto em que eu já só suspirava de raiva cada vez que uma personagem comentava o quanto invejava Elizabeth por ser rainha.
Outro ponto importante da temporada é a discussão acerca do papel e da relevância da Coroa, como instituição, num mundo que experiencia drásticas revoluções sociais. Ora, eu achei que foi importante trazer esse questionamento. Penso que teve ainda mais peso pelo facto de estar inserido nos inícios do reinado da rainha, quando ela ainda está a tentar perceber como funcionam os meandros do poder e onde se deve colocar.
Considerações finais
Resumindo um pouco de tudo o que foi dito até agora, The crown foi uma surpresa amarga para mim. Apesar das excelentes atuações, o enredo e o seu ritmo narrativo foram o que mais me desagradou na série e impactou, de forma negativa, a minha experiência. Posto isto, surge então a seguinte questão: valerá a pena continuar a assistir? Bem, eu sou conhecida pelos meus amigos e parentes por continuar a assistir séries que aparentemente detesto, uma manifestação crua da minha teimosia. Contudo, acho que cheguei a um patamar da minha vida, onde já me começo a questionar duas e três vezes os benefícios de continuar com algo que realmente não estou a gostar. Neste sentido, por ora acho melhor abandonar a série e ir ver outros títulos da minha lista. Quem sabe, possivelmente no futuro eu retome a série.
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