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O filho das sombras (Saga de Sevenwaters #2) | Opinião #118

 Olá a todos!

    Estou muito entusiasmada para partilhar convosco a minha opinião sobre aquela que é a minha primeira leitura do ano, O filho das sombras.

Atenção: esta resenha pode conter spoilers!

    Confere os restantes volumes:

Sobre a autora

    Juliet Marillier nasceu em Dunedin, na Nova Zelândia, uma cidade com fortes tradições escocesas que a influenciaram intensamente, uma vez que cresceu ao som dos cânticos e histórias celtas. Licenciou-se em Linguística.

    Atualmente vive na Austrália, em Perth, próximo de uma comunidade rural que tem a paz e a harmonia de quem a autora necessita para escrever.

    Neste momento encontra-se a trabalhar na sua próxima trilogia, depois de Sevenwaters ter ganho o Aurealis Award for Best Fantasy Novel de 2000.

    A trilogia que apresentou traz-nos toda a riqueza da mitologia celta e o fascínio dos contos de fadas que vivem no nosso imaginário, transportando-nos para um mundo pleno de aventuras e misticismo.

Sinopse

    As florestas de Sevenwaters lançaram o seu feitiço sobre Liadan, a filha de Sorcha, que herdou os talentos da mãe para curar e penetrar no mundo espiritual. Os espíritos da floresta avisam-na de que, para que as ilhas sagradas sejam reconquistadas aos Bretões, Liadan deverá permanecer em Sevenwaters.

    A Irlanda está agora em guerra, e as suas costas são assoladas por atacantes. Entre os inimigos há um que se destaca: o Homem Pintado, que granjeou uma reputação terrível de mercenário feroz e astuto, e que espalha o terror por onde quer que passe.

    Ao regressar a casa, Liadan é capturada pelo Homem Pintado. Porém, este acaba por se revelar bem diferente da lenda, e apesar da antiga profecia que a obrigava a permanecer em Sevenwaters, a jovem sente-se atraída por ele. Mas poderá ela viver o seu amor sem que a maldição recaia sobre Sevenwaters?

Opinião

    Depois de ter lido A filha da floresta, percebi que tinha que ler o resto da saga. Por isso, não perdi tempo e comecei logo a ler O filho das sombras. Se o primeiro livro da saga foi bom, este foi ainda melhor. Mas calma, que já explicarei tudo.

Histórias não são mentiras nem verdades, antes qualquer coisa entre as duas. Podem ser verdadeiras ou falsas, conforme o ouvinte escolhe, ou o contador quer.

    O filho das sombras conta-nos a historia de Liadan, filha de Sorcha e Red, irmã de Niamh e gémea de Sean. Tudo parece tranquilo em Sevenwaters, as coisas não podiam estar melhores até que um dia tudo muda. Liadan, tal como o seu tio Finbar, possui o dom da Visão e começa a sentir que um grande mal está a despertar - um mal antigo que se julgava adormecido. O livro todo é construído nessa tensão. O filho das sombras é diferente do seu antecessor, pois encerra em si uma narrativa repleta de intrigas, reviravoltas e revelações chocantes.

    O que eu mais gostei foi o facto de nos apresentar outras visões para a mesma história. Sim, o livro pode ser narrado na primeira pessoa, mas Marillier parece incluir muito mais as personagens secundárias dando-lhes uma maior atuação. Achei que todo o clima de tensão foi muito bem construído, sendo que, durante a leitura, eu criava teorias sobre o que iria acontecer e o que seria este grande mal (pessoalmente, acredito que seja a Lady Oonagh).

Quando tiveres visto um pouco mais do mundo real, talvez aprendas que toda a gente é dispensável. Não há exceções, seja um ferreiro habilidoso, um guerreiro calejado ou uma rapariga curandeira. Sofremos, morremos e somos esquecidos. A vida continua.

    Como eu já disse, as personagens secundárias adquirem uma maior importância neste livro. Aliás, são as personagens secundárias e as suas escolhas que afetam a protagonista e a guiam ao longo da história. Uma outra coisa que fica muito clara desde o início é que Liadan não é Sorcha - ela é uma personagem inteiramente diferente. Liadan é independente e teimosa, enquanto Sorcha era um pouco ingénua e mais passiva. Sim, as personagens secundárias podem ter a sua quota parte no desenrolar dos eventos mas são as ações de Liadan que os desencadeiam. A personagem não deixa que outros façam as escolhas por ela, nem se submete à vontade das Criaturas Encantadas; ela prefere decidir o seu próprio destino, mesmo que pareça errado para aqueles que ama.

    E quanto ao Filho das Sombras? Se querem mesmo uma resposta a essa pergunta, sugiro que leiam o livro e procurem por vocês mesmos. Aviso já que não é o que vocês esperam.

Não procuro fazer com que estas feridas desapareçam, como se nunca tivessem existido. Sei muito bem que ele há-de, sempre, transportas as cicatrizes. Não posso fazer com que o seu caminho passe a ser amplo e direito. Há-de haver sempre curvas, e lombas, e dificuldades. Mas posso segurar-lhe a mão e caminhar a seu lado.

Em suma, O filho das sombras lida com as consequências d'A filha da floresta, enquanto tenta explorar essa ameaça tão omnipresente.

Nota: 5/5

Até à próxima e boas leituras!

Ellis

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